Quem sou eu no meio
desta cidade ?
Pessoas que me
esbarram sem tempo de se desculpar
Onde o tempo é
inimigo de todos
E o mais importante é
simplesmente estar lá
Na ponta do meu lápis
aponta
Sem o risco da
fantasia
Tudo aquilo que
queria
E que não soube
conquistar
Fico em frangalhos
Ao lembrar dos atos
falhos
Que dia a dia cometi
Sem ao menos me
desculpar
Quem sou eu no meio
desta cidade
Apenas mais um corpo
Em outros corpos a
trombar
Apressado,
concentrado
Sem Tempo de me
desculpar
Fico sábio, já sabia
Sem necessidade de
aulas de filosofia
Escrevo, vivo e penso
Consumo do mundo a
minha fatia
Misturo a minha
pressa
Com a pressa dos
demais
Vez por outra tento
me desculpar
Mas o corpo trombado
há muito ficou para traz
Hoje, na rua da Bahia
Trombo com um corpo
que não se mexeu
É o poeta Drumond em
bronze
Em uma esquina
parado, mais perdido do que eu
Ao poeta me desculpo
Porque na condição de
imóvel não ficou para traz
Quem sou eu no meio
desta cidade?
Bronze ou carne, tanto
fez, tanto faz.