Wednesday, May 29, 2013

O poeta de bronze



Quem sou eu no meio desta cidade ?
Pessoas que me esbarram sem tempo de se desculpar
Onde o tempo é inimigo de todos
E o mais importante é simplesmente estar lá

Na ponta do meu lápis aponta
Sem o risco da fantasia
Tudo aquilo que queria
E que não soube conquistar
Fico em frangalhos
Ao lembrar dos atos falhos
Que dia a dia cometi
Sem ao menos me desculpar

Quem sou eu no meio desta cidade
Apenas mais um corpo
Em outros corpos a trombar
Apressado, concentrado
Sem Tempo de me desculpar

Fico sábio, já sabia
Sem necessidade de aulas de filosofia
Escrevo, vivo e penso
Consumo do mundo a minha fatia
Misturo a minha pressa
Com a pressa dos demais
Vez por outra tento me desculpar
Mas o corpo trombado há muito ficou para traz

Hoje, na rua da Bahia
Trombo com um corpo que não se mexeu
É o poeta Drumond em bronze
Em uma esquina parado, mais perdido do que eu
Ao poeta me desculpo
Porque na condição de imóvel não ficou para traz
Quem sou eu no meio desta cidade?
Bronze ou carne, tanto fez, tanto faz.