Thursday, April 30, 2009

APOCALIPSES

Tragédia

Caos por todas as partes
Escombros pelo chão
Cadáveres em decomposição.

Satanás sorri satisfeito
O único bem que a guerra tem feito

Poças de sangue
Onde antes existia rua
Já não se tem notícia de nada
A realidade nua e crua

Poucos desesperados restaram
Alguns ainda ardem nas chamas
Outros se escondem das correntes
Viver foi o pior dos dramas

O sol se pos para sempre
Trevas que o fogo vai iluminar
O choro das pessoas é musica para Satan
Sentado em seu trono com o ferro de marcar


A Guerra

Um raio de luz puríssima cruza o céu
Miguel está no comando
Seus dentes estão cerrados
Ele se sente revoltado com o ato desumano

A batalha é iniciada
Em todos os cantos do caos
Anjos versus demônios
O bem contra o mal

Os pobres coitados se escondem das espadas
Que se encontram formando faíscas de fogo

Agora há sangue de anjos derramado
E Arcanjo Miguel se sente irado

Satan sorri alegremente
Como quem vence a guerra
Sua legião é enorme
Seu castelo é de pura pedra

O comando estrelar manda mais cavaleiros
Todos ao comando do arcanjo fiel
Aos poucos os demônios são derrotados
E se começa a enxergar o céu

Muitas mortes depois
Miguel abaixa a sua espada
Benevolente assiste sereno a Satan
Que desesperado bate em retirada


Esperança

Depois da Guerra
Há pouquíssimos homens na terra
Não são como os escolhidos
Apenas foram esquecidos

A luz que os cega
Ordena a todos uma punição
Reconstruirão tudo novamente
E desta vez o mal não terá perdão

Os que choram deverão esquecer a dor
Os revoltados deixarão seu rancor

No meio dos escombros uma criança que nasce
E seu choro rompe o silencio
Ela é a chave para o recomeço
A humanidade pagou alto preço

As árvores voltarão a crescer
Assim como as crianças
E haverá novamente o amanhecer

O projeto Israel novamente foi poupado
O mal foi banido e julgado

Miguel e seu exército se recuperam da batalha
Estão satisfeitos por sua vitória
Mas jamais irão retirar o caos da memória

Satan espreita de longe
Esperando a oportunidade
Na terra nova não há onde germinar sua semente
Mas ele espera plantar o mal na humanidade
Mesmo que seja em vão

Eu estava lá, mas desisti
Apenas por temer estar só
Sem estar
Sem ao menos estar
Nem sequer lutar
Apenas desisti
E parei de caminhar


Meus olhos podem ver
Tudo que quis
Mas apenas de longe
Uma visão morta
Como quase todos meus desejos
Que foram subornados
Dinheiro que me deixou só
Eu e meus desejos
Imaterializados

Como é possível não estar lá
Como posso aceitar
Que eu estive errado esse tempo todo
E que não há volta
A menos que haja perda
Como é possível aceitar mais um erro
Depois de tanto lutar
E de tanta estrada percorrida
Simplesmente desistir

Minhas roupas estão velhas
Meus sapatos descolados
Mas posso escutar a velha musica
E me animar no meio do deserto
Mesmo que seja em vão.
Aqui novamente

Agora vivo do meio
Estou no meio deles
E sou exatamente o que nunca desejei

Como foi caro sair
Para voltar quase de graça
E dar minha alegria em troca

Não posso acreditar
Mas estou lá
E conto meus pedaços
Sem saber o que fazer com eles

Minhas opiniões não importam
Eu não importo
Voltei sem perceber
Estou aqui novamente
Encurralado


Quando eu olhava a serra
Por vezes a achava intransponível
E pensava nunca sair de lá
Eram dias tristes e escuros
E eu não tinha mais como lutar

Meu coração ficou triste
E marcas ficaram para sempre
Pesadelos em pleno dia
E o desespero era sempre presente

Mas o mundo me iludiu
E quando finalmente escapei me esqueci daquilo
Embriaguei-me de felicidade
E perdi a noção do perigo

Porque quando se acha que está mais forte
É o seu maior momento de fraqueza
E não há tolice maior de cometer
Do que pensar que se tem certeza

E quando eu estava certo de dominar o mundo
Eu virei a preza
Minha cabeça se voltou para baixo
E tive que engolir minha certeza

E há nova serra a minha frente
Dias igualmente tristes
Sem expectativa de mudança
Sem lição alguma a ensinar

Mas meus sapatos brilham
E o brilho esconde meu triste olhar
Tenho tudo que desejo
Mas não posso sair do lugar

De outra janela vejo o mundo que não gira
Como se parado no mesmo lugar
Mas ele segue a toda velocidade
E fui eu quem parou de andar

Não sei se novas chances virão
E se vierem, se poderei aproveitar
Aqui só tenho a mim mesmo
E nem sequer posso mais errar