Já não há portas na minha casa
Apenas vejo as coisas da janela
Me exercito carregando a saudade
E muitas vezes não dou conta dela
O aplicativo alimenta, mas não nutri
A voz consola, mas não acaba com a dor
A imagem apenas ameniza a vontade
A cada dia que passa, o mundo perde a cor
O tempo parou e a hora nunca chega
Cientistas controlam a minha antes doce vida
E doutores definirão o que quer que seja
O tempo não passa, nem a melancolia
O destino nos abandonou à própria sorte
E a esperança não apareceu nem um dia
Tudo vai passar, assim como os otimistas
E tudo acabará, assim como os pessimistas
Minha casa, sem portas, tem agora apenas janelas
Nelas vejo o futuro, turvo e com várias sequelas