Friday, April 24, 2015

A mãe do gueto

O som do susto
Um tiro estranho
Ninguém nem nunca viu aquilo
Insanidade, impunidade
Falta de dignidade
Sangue, bala, há tiro no outro
Está lá estendido mais um corpo

Eu digo sim
Antes a ele que a mim
Ideia fraca, agente fraga
Fudido, sem casa, pobre e preto
O tiro é só um jeito
O giz do gueto
Motivado do malvado
Deus deve ter abandonado
Igual a sociedade
O governo da desigualdade
Semente de maldade
Que só cresce
Que acontece
Você não vê e nem nunca viu
Mas na hora que acordar
Bum !
Explodiu

A violência
A paciência
A sua paz
Ah, essa já ficou para traz
Por onde andava já não anda mais
A favela inflamada
Na dispensa as lata cheia de nada
O asfalto é a solução
Nós protesta
Nós sabe bem porque
Não é a polícia, não é o governo
É a falta do que comer
É como pólvora, sem o pavio
Quando explode num sobra um vivo

O susto do som
Caiu o corpo
Morreu mais um
Não sei quem era
Foi tão sinistro
Pobre, preto e favelado
Tira da frete, joga pro lado
não é a polícia, nem o governo
o som de bala, é a poesia
a violência, a mãe do gueto