Wednesday, May 29, 2013

A mensagem por Helena



Pude sentir naquele seu abraço
Que lhe deixaria para sempre
E depois daquele dia decidi
Apenas olharei para sempre

E dei as mãos comigo mesmo
Reinventando uma dupla que meu pai falou ainda vivo
"Respeitar os outros é bom
Mas o maior respeito é consigo."

E fui caindo no mundo
Como um cachorro vagabundo
Horas comendo igual rei
Em lugares que nem falar eu sei

Hora também era a todos igual
Desembrulhando um sanduiche maltrapiche
Enquanto o trem não chegava
Ou mesmo a carona que não vinha e me levava

Pois é, caí no mundo assim mesmo
Movido de tristeza por mulher

E fui vendo e conhecendo um monte de outras(...)
E com umas até dormia
Porque muito bem me aparecia
E vivia perfumado
Com aquele cheiro bom que mulher tem
E que deixa na roupa da gente
Quando elas querem que nós é que viramos refém

Pois veio a guerra e encheu a terra de miséria
E vi aquele povo todo gritando
E um montão de jovem se matando
Na maioria das vezes sem nem saber porque estava lutando

Mas tudo acaba nesta vida e a guerra se acabou
Mas deixo desfigurado como uma cicatriz
A chance de toda aquela gente finalmente ser feliz

Depois da guerra eu já não era tão jovem assim
Mas tinha comigo as mesmas coisas
Principalmente aqueles que maltratavam de mim

Já tinha rodado o mundo e ganhado e perdido muito dinheiro
Tinha aprendido de tudo dentro de templo budista e até mesmo nos puteiros
Então já vencido pela idade, percebi que minha vida foi sempre uma falsidade
Porque minha vida mesmo era a jovem moça que deixei escapar na minha cidade

Tomei o trem e o avião
Fui de encontro ao que minha vida inteira batia no meu coração
Quando cheguei na minha cidade, apesar da tenra idade
Já não parecia que a minha bengala me ajudava a firmar os pés no chão

Procurei por Helena, que me disse adeus um dia
E eu bravo, logo iniciei minha partida
Sem saber do sentimento certo daquela minha querida
Na verdade o não dela, não era o que sentia
Era o tal charme de mulher que na ignorância da juventude eu jamais entendia

Bati à porta de Helena, que mais tarde soube eu, nunca mais outro homem abraçou
Cheio de remorso, fui procurar Helena que jamais tinha esquecido
E que pela boca dos outros soube que me amava tanto quanto também

Na sala da casa de interior, um monte de gente com a cara cheia de dor
Nestas obras do destino fui saber que Helena tivera um desatino
E finalmente no céu se estabeleceu
Seu caixão ainda quente, após a despedida de cada parente
Recebeu o meu adeus e depois desceu

Eu já velho sem mais forças pra continuar, me sentei em uma bela varanda
E calmamente esperei que a morte também viesse me buscar
Nessa espera repassei toda a minha vida que apesar de sofrida nada deixou a desejar

Viver eu viveria tudo e da mesma forma se fosse preciso
Mas certamente não partiria sem Helena, o grande amor da minha vida, se pudesse voltar e ter escolhido

Então já que a morte veio me chamar
Eu resolvi escrever este texto como forma de alguma pessoa eu alertar
Nunca fuja do seu amor e nunca saia de perto de onde ele está
Passará a vida vagando e procurando e em nenhum momento a felicidade você vai encontrar

Deste jeito vou seguindo e sinto o ultimo suspiro da minha alma saindo
Vou em busca de Helena para tentar fazer tudo de novo de forma diferente
E se conseguir eu volto e escrevo outra história
Só que desta vez muito mais feliz e muito mais contente.