Friday, June 07, 2013

"Como ir na padaria!" (Obituário)

Morreu no dia de quinta-feira um poeta chamado Darci
Grande orador, deixou muitas lembranças antes de ir embora daqui
Ele morava no bairro Cruzeiro já a muito tempo
Viu a irmã, a mãe e os irmãos irem embora antes deste momento
Contava com o peito cheio as peripécias de onde veio
Desde audiências com o presidente Juscelino
Até as suas aventuras como professor na sua época de menino

Agente se falava quando meu filho Miguel brincava
Eram livros maravilhosos e debates políticos que pouca gente entrava
Eram mulheres maravilhosas e histórias empolgantes
Segredos políticos da época e histórias da Feira dos Produtores
Darci era uma viagem, Darci era um personagem.
Imediato e impaciente como toda mente brilhante
Sorriso largo e o melhor cafezinho entre os vizinhos

Darci foi embora exatamente do jeito que nós dois achávamos que ele ia
Sem melancolia e despedidas, "Como ir na padaria!"
Sorria meu grande amigo
Com essa serenidade que eu lhe vi no dia de hoje
Tenho certeza absoluta que hoje está rolando uma festa no céu
Como ele fazia
Sem melancolia e despedidas, "Como ir na padaria!"









Thursday, June 06, 2013

A tristeza Eletrônica


Triste é olhar o celular
E não ter chamada sua
Nem mensagem
Mas não vou me abalar

Triste é olhar cada mensagem
E não ver seu nome
E não entender porque
Mas não vou perder a coragem

Porque vou te ligar
Um dia
Quando a saudade bater
E não vou ter medo de você recusar

Porque vou te mandar um correio
Uma tarde
Quando não mais me aguentar
E seu descaso não me causa receio

E não importa o que dizem
E digam que não tenho jeito
E que grudo demais
E que corro atrás

Porque quero de novo te acessar
E ficar feliz
Quando tocar meu celular

Porque vou ficar satisfeito
Quando abrir meu correio
E ver em negrito seu e-mail

E não me importam os desiludidos
Que pregam o não romantismo
Para resguardar corações partidos

Porque meu coração não está fora de área
E nem está com a capacidade esgotada
Meu coração sempre estará normal
A espera que o seu dê sinal.

Wednesday, June 05, 2013

Desejo


Fico louco de te olhar
Vontade de namorar
Você

Despir a tua roupa
Ver seu corpo aparecer
Te ter

E eu só penso em te amar e te amar e te amar
Vontade de namorar
Ter você
Despir toda tua roupa
Beijar você
Vontade de enlouquecer
Você

E te deitar nos meus lençois
Loucuras a quatro paredes
Finalmente a sós
Animais morrendo de sede
Nós

Eu só quero é te amar e te amar e te amar
Tirar toda a sua roupa
Beijar você
Pedaço a pedaço do corpo
Sem parar

E morrer de prazer por te amar e te amar e te amar...







Tuesday, June 04, 2013

Carta aberta ao meu amigo



Venho através desta
Escrita de próprio punho
Agradecer tua preocupação
Em momento tão oportuno

Antes de agradecer todavia
Explico que alguma coisa mudou
E muita coisa agora é diferente
De tudo aquilo que acontecia

Meu amigo, também obrigo-me a dizer
O quão amo nossa amizade
Construção sólida e firme
De característica imortal de verdade

Entendo tua preocupação
Pois também em ti tenho minha aflição
Mas meu amigo eu lhe digo
Que já está escolhida a minha direção

E minha direção é fazer o que tu temes
Porque preocupas que eu vá sofrer também
Mas tua sabedoria talvez não existisse
Se tu tivesse deixado de viver também

Somos diferentemente tão iguais
Porque queremos os extremos da mesma forma
E acreditamos tanto no que queremos
Que pelejamos para que o outro goste da mesma maneira

Meu amigo, declaro estar atento
Aos seus apelos e argumentos
À sua preocupação no momento

Meu amigo, declaro que farei o meu desejo
Que partirei mesmo nesta viagem
Mesmo com a preocupação que em ti vejo

Meu amigo, falo mais alto agora
Para que você mais se atenha
No meu sentimento em forma de onda sonora

Não haverá fim em tão puro sentimento
Seguirei meus caminhos e você os seus
E nossa amizade continuará sempre forte
Eternamente a todo o momento.

Monday, June 03, 2013

Sem glória, sem mérito, sem vitória



Quando eu vi seu tempo escorrendo
Fiquei com o coração apertado de tristeza
Você não poderia fazer mais nada
E todo seu esforço era em vão

Você lutava bravamente
Mas jamais conseguiria vencer
Você jamais aceitou a derrota
Mas seu esforço era em vão

E eu tentava entender porque continuava
Porque lutava essa contradição
Você sequer vislumbrava o triunfo
Seu esforço era mera ilusão

E foi triste demais ver você cair
E seu esforço inútil para se levantar
Suas mãos tentando agarrar o vazio
Enquanto seu corpo ganhava o chão frio

E fiquei em silêncio vendo seu corpo jogado
Assistindo sua respiração ir parando devagar
Fiquei imaginando os seus últimos pensamentos
Tentando adivinhar o que pensava naqueles momentos

Um portão que se abria para o campo
E pelo campo a visão da pessoa amada
O propósito de toda uma vida
A missão finalmente alcançada

E também imaginei sua dor no momento
Sua carne que se contraia em vão
Sua mente envolvida em frustração

Seu corpo então parou suavemente
Libertando sua alma para sempre
Você se transformou em história
Sem glória, sem mérito, sem vitória

E você deixou sua lembrança
Sua derrota transformou-se em um caso de perseverança
Quem não vi o que eu vi nunca soube a verdade
Mas tomou aquilo como a própria esperança

E eu ainda entristeço quando lembro
E minha mente é invadida com  a lembrança daquele sofrimento
Sua dor, sua derrota, o último momento da sua história
Tudo isso sem glória, sem nenhum mérito e nenhuma vitória

Carolina



Os vultos à minha frente
Confundiam as ideias em minha mente
O sangue que da minha boca escorria
Me dava a certeza do que eu já sabia

Eu iria respirar o ar de barro
Eu iria ficar parado
Anos iriam se passar
E eu permaneceria no mesmo lugar

Eu só queria estar na carruagem
Sentindo o ar do Ipiranga
Eu só queria você do meu lado
Por onde você tem andado ?

E passei anos apenas vivendo domingos
Horas via a morte se aproximando
Horas sonhava com você chegando

Quando saí de lá, finalmente lhe encontrei
E você estava como eu lhe deixei
Eu jurei estar contigo para sempre
Mas o sempre terminou num repente
Você veio para que eu não desistisse
Mas não me preparou para quando partisse
E você fechou os olhos naquela tarde
Mas quando quis estar no seu lugar já era muito tarde