Friday, December 14, 2012

Ao amigo Antony



Há muito, muito tempo atrás
Antony Restony fechou as portas do seu coração
Ele combinou tudo certinho
E os Deuses atenderam a sua oração

Antony entendia que amar doía demais
E decidiu parar de amar como parte da solução
Passou anos e anos sem amar ninguém
Até que um dia, uma viagem, mudou toda a combinação

Ela era linda como o sol nascente
Seu sorriso amanhecia até o sol mais poente
Seu cheiro, seu gosto, seu caminhar
Tudo aquilo eram estrelas coloridas pelo luar

Então Antony lembrou entre surpreso e assustado
De quanto tempo já não amava por causa do passado
Mas já estava irremediavelmente perdido
E percebeu que seu frágil coração havia sido arrombado

Seguir aquilo parecia loucura então
Ele sabia que a insanidade machucaria seu coração
Antony nunca esqueceu os motivos de o ter deixado trancado
E agora que podia não sabia qual a mais sábia decisão

Ele passou a imaginá-la noite e dia
Imaginava inúmeras sensações de “quem sabe um dia”
Como ela era linda e radiante
Como amar novamente era tão excitante

Antony vive uma história sem fim
Ele ama Jolie mesmo sem razão
Contra ele apenas mesmo o seu medo
Porque o medo é a chave que tranca o coração

O homem sem pupilas



Não posso mais dormir
Pois sempre que durmo sonho com você
E estar contigo em meu sonho é tão grande
Mas acordar sem você também o é

Em meu sonho você já sorriu mais
Embora seu sorriso seja exatamente o mesmo
Estamos longe tanto em sonho quanto em realidade
E estarmos juntos representa aquele um por cento de probabilidade

Não posso mais dormir
Mas esta é a maneira mais certa de te encontrar
Há tantos caminhos e possibilidades diferentes
Que talvez o que eu deseje só aconteça mesmo lá

Nunca quis tanto, nunca pedi tanto, nunca desejei tanto
Nunca utilizei recursos tão fortes
Nunca recorri a sentimentos tão profundos
Nunca solicitei aos seres amigos tamanhos absurdos

Queria mais quarenta ou cinquenta
E se não estivesse escrito, eu mesmo escreveria
Queria que meu sonho acordasse, mas que ficasse tudo igual
Queria que sonho e realidade fosse a vida normal

“Há muito, muito tempo atrás
Fechei uma porta que não se abre mais
Lembro nitidamente o que já passou por ela
E sei muito bem o que aconteceu depois
Trancada, a porta ficou segura e tenaz
Posso olhar pela fechadura
Posso sentir o vento que ventava lá atrás.”

Não posso mais dormir, mas tenho sono
E retirei minhas pupilas em um ato de esperança inútil
Todo simbolismo passa a ser tratado assim
Um homem sem pupilas que sonha acordado enfim

Reconstruir o mundo



Quanto o último homem andar sobre a terra
Eu posso imaginar sua tristeza
Passeando por ruínas da nossa civilização
Momentos que não existem mais
Lembranças de um ontem que ficou para traz

A chance foi desperdiçada
E agente não fez nada direito
Tudo que ganhamos, nós destruímos
E um a um, através da morte, nós partimos

Eu posso imaginar a ausência de medo
Eu posso sentir o frio do seu corpo que vive só

Eu era esse homem
E caminhava sozinho pelo que sobrou de nós
Não estava perdido, mas não sabia onde estava
O vento soprava em mim
Mas não havia ninguém com quem compartilha-lo
Então aproveitava sozinho
Mas eu tinha que continuar

Quanto você é o último homem
Talvez existam muitas coisas a fazer
Reconstruir o mundo
Trazer de volta cada alma
Plantar de novo cada semente
E esperar cada nascer do sol
Tudo isto só

Olho em volta
Não vejo nada agradável
Olho para dentro de mim
Feliz percebo que sobrou alguma coisa
Lembranças e desejos
Vontades e virtudes
Tudo o que preciso
Reconstruir o mundo

Eu não sou a dor do mundo
E ele não vai assistir nenhum desespero
Reconstruir o mundo antes que ele acabe
Reconstruir o mundo antes que ele acabe