Friday, February 21, 2014

Paula

Meu desafio
Era então lhe decifrar
Você queria uma poesia
E eu queria lhe entregar

Moça que eu não conheço
Que nunca vi neste lugar
Me sorri e me pede a palavra
Como quem me pede para passar

De você conheço pouco ou nada
Não sei nem como te chamar
Não sei o que lhe interessa
Com que se propõe a sonhar

Ah moça... veja isso !
Gostei tanto do seu sorriso
Gosto que gostei de graça
Não sei seu nome, seu endereço
De você eu não sei mesmo nada

Fico aqui imaginando
Tentando escrever a palavra
Me pego rindo sozinho
Você pedindo poesia fazendo algazarra

Gosto de gente linda
Como você, aquelas de alma inusitada
Eu sei ler isso nelas
Quase nunca é leitura errada

Que vontade de rir contigo
De te ver fazendo piada
Fazer poesia assim é difícil
Mas tentar é melhor que nada


Fisioterapia do coração - Parte I

Não, não se surpreenda
É que minha alma grita sim
Sem hora e sem porque
Sem motivo aparente
Como diria preta
Sem que

Você é a aeromoça
Sou apenas passageiro
Seus gestos mostram as saídas
Meus exageros
Minhas noites mal dormidas
Meus destemperos

Não, não se espante
É que sou mesmo assim
Te amo e te esqueço
Sem covardia
O coração em fisioterapia
Se enchendo e esvaziando de amor
Sem stress, culpa ou dor

Você é a analista
Eu tenho meu sistema
Seus códigos definem o que fazer
Meus erros
Minha falta de lógica
Tudo programado por você

Não, não se afaste
Pode ser que goste de mim
Amor, graça e desejo
Sem medo
Quem você procura enfim
Quando digo que não
Minha alma diz que sim

Você é a jornalista
Eu sou a notícia
Você me persegue
Eu sou a sua conquista
Você não quer me conquistar
Quer apenas compartilhar

Não se espante
Não se surpreenda
Não se afaste
Pode ser passageiro
Pode ser programado
Pode ser conquistado




Wednesday, February 19, 2014

O tempo

O tempo leva o tempo que for
Leva embora toda dor
Cura o rancor
Apaga um amor

Implacável tempo
Apaga o momento
Causa arrependimento
Ressentimento

O tempo sempre vence
Ele não lhe pertence
Por mais que você pense
Tempo incomplacente

O tempo mata e cura
Realidade nua
Verdade crua
Nunca mais vi você na rua

O tempo pode ser saudade
Ou liberdade
O tempo pode ser de verdade
Ou só de vontade

Agora descubro que o tempo passou
E nada daquilo ficou
Nosso sonho acabou
A luz se apagou

Foi o tempo que venceu
Não foi você, não fui eu
Levou o que era meu
Cumpriu o que prometeu

Foi o tempo que permitiu
Preveniu
A dor para sempre partiu
E o tempo nem sequer a sentiu



Kiev

Comecei a não escutar
E sua mão largou da minha
Éramos nós e a guerra
Era o fim que se encaminha

Balas estúpidas no ar
Você sem respirar
Isso não pode estar acontecendo
Eu queria muito acordar

Não conseguia ver direito
Muito menos sentir seu cheiro
Revirando o caos para lhe encontrar
Desesperado por não lhe achar

As pedras voam para o sul
E as balas cobrem o norte
Em um esquina vejo você
Tento lhe alcançar antes da morte

As pessoas não se entendem
Todos loucos sem sentido
Eu queria a vida como antes
Quando éramos simplesmente amantes

Mais uma bomba que cruza o céu
Alguém morto de forma cruel
Perdido tento lhe encontrar
Vagando até lhe achar

Quando acordei
Kiev havia sucumbido
Eu estava sem você
Meu coração estava perdido

Uma voz, uma visão
Você surge e aperta minha mão
A dor não me impede de sorrir
O último, antes de partir

No ultimo instante
Você é minha paz
A paz que Kiev não teve
A paz que só a morte traz


Tuesday, February 18, 2014

Todas elas

A moça escorpiana
Não pode ser feliz comigo
Parte da minha vida é boa
A outra parte é um perigo

A moça da boca bonita
Não pode ser feliz também
Mesmo que ela me queira
Há quem a queira também

A moça quase perfeita
Não vê em mim felicidade
Não lhe tenho amor a oferecer
Ela não pode viver de verdade

A felicidade é coisa fácil
Pode surgir da ponta da caneta
Nos satisfaz com um pedaço
Insistimos em tê-la inteira

A moça dos gatos
Já foi feliz comigo
Hoje ela nem lembra de mim
E eu continuo meu desejo antigo

A moça do segredo
Felicidade é não contar a ninguém
Vem, me beija e vai embora
E me deixa tranquilo também

Felicidade onde mora?
Porque me escapa entre os dedos ?
Não posso relaxar um minuto
Você me impõe os seus pesadelos

Queria delas de tudo um pouco
O beijo que só a escorpiana dá
Minha boca na sua boca bonita
Tamanha perfeição não há

Queria delas um pouco de tudo
Como os gatos do terceiro andar
Te ver é o doce segredo
A triste feliz iria ficar

Felicidade onde está ?
Porque não vem me encontrar ?
Vejo você em todas elas
Mas nenhuma veio para ficar

O drama da dama

Entristece então enlouquece
Diz que me ama
Abandona minha cama
Fuga ou descontrole
O drama da dama

Janela aberta
Vinho que brinda a noite
Noite que traz a dama
A dama do drama
Que adora minha cama

Hora me quer mais
Outra não me quer mais
Me querer ou não
Eis o drama da dama
Preocupada com a fama
De adorar minha cama

Enlouquece e se esquece
Vem e me ama
Sem drama
Quando finalmente desperta
Novamente o drama da dama

Entre satisfeita e furiosa
Jura nunca mais me querer
Feliz por estar comigo
Triste por não poder
A dama e o seu drama
O drama da dama