Saturday, May 18, 2013

Frio na janela


Pouco ou nada adiantou desta vez
Você se perdeu e eu perdi meu rumo
Caminhar lado a lado deixou de ser opção
Você diz apenas que não sabe porque
E eu digo muitas coisas, mas tudo é em vão

Eu nunca mais vi seu carro da minha janela
Nunca mais tive noite alguma como aquela

Eu nunca mais recebi sequer uma mensagem sua
Nunca mais tive você em meus braços, nua

Meu telefone nunca mais tocou
Nossa musica nunca mais tocou

Seus pensamentos me traíram como sempre
Pois eles nunca acreditam em ser para sempre

Agora posso trancar meu coração novamente
Pois aqui você não vai entrar mais uma vez
Prefiro morrer mil vezes sozinho
Do que tortura-lo de novo como agente fez

Nada adiantou mais uma vez
E você foi embora uma, duas, três
O frio já se aproxima pela minha janela
Enquanto invento minha história
Esperando que alguém acredite nela

Friday, May 17, 2013

Rua das flores



Coloquei a escada em sua janela
Só para espia-la dormindo
Um sono tão tranquilo quanto seu sorriso
A visão dela é tudo que eu preciso

Ela mora em uma casinha de madeira
Na rua das flores
Sua janela tem a visão da rua
Ou será a rua que tem a visão dela ?

Ela mora na rua das flores
E tudo que quero é vê-la todos os dias
Eu a tenho dentro do meu coração
E sonho com o dia em que eu também estarei lá

Todos os dias, é por ela que o sol brilha
Todas as noites, é por ela que a lua me inspira

Ela mora na rua das flores
E eu adoro vê-la assim dormindo
Muitas vezes nem a escada eu uso
Pois fecho os olhos e a vejo sorrindo

Thursday, May 16, 2013

Krakatoa



Quando o mar começou a recuar eu já sabia
As aves se foram e o vento parou de soprar
Então ela veio destruindo tudo
Não adiantava correr ou se segurar

Ela crucificou os corações na praia
E tudo que era lindo se tornou terrível
Turistas ou naturais, mães e pais
Tudo que estava a frente foi levado
Do pé da montanha até a beira do cais

Pedaços, pedras e água
Eu só queria me salvar
Mas ao ver todas aquelas crianças
Não tive como recuar

Quando ela voltou trouxe mais coisas
Além da morte, a desolação
O cheiro de corpos podres
Pedaços sem vida que se vão

E pela segunda vez eu percebi sua chegada
E novamente eu não pude fazer nada
Já não sabia se fugia da morte
Ou simplesmente deixava ela me levar

Wednesday, May 15, 2013

A cada nova mancha, uma nova tatuagem



Eu estava preparado
Ah, mas dessa vez você não vai me levar a alma
Nem alma, nem lágrima, nem nada
Eu desisti de chorar, de pedir para o céu
Eu desisti de sofrer pelo que não existe
Escolhi ser feliz, ah dessa vez eu escolhi ser feliz

E não vou ficar repetindo as mesmas coisas
Eu não vou andar pelos mesmos caminhos
Tão pouco vou esperar meus heróis
Eu não vou esperar o sol para me esquentar
Não vou esperar a guerra para lutar
Não vou mais parar para escutar

Quem me dá as chances sou seu
E sou o herói de mim mesmo
Uma porta se fecha e mil outras se abrem
A cada nova mancha, uma nova tatuagem

Vou para Ouro Branco
E se você não estiver lá vou para BH
Vou para BH
E se não achar nem um sinal vou para Brasília
E se você não estiver por lá eu lhe encontro mesmo assim
Te encontro em Diamantina, te encontro em Betim
Te encontro em New York ou em Bonfim
E caso não lhe encontro em nenhum lugar
Logo te encontrarei dentro de mim
E fico comigo mesmo
Sem precisar de mais ninguém

E projetarei você no corpo de outra mulher
Sim, de outra mulher
Linda, gostosa e muda
Surpreendente e burra
Lhe amarei sem desejar tê-la para sempre
Fecharei a porta sem me despedir
Não saberei seu telefone, qual o seu carro
Não sentirei seu perfume entre um e outro trago

Ah, desta vez eu estava preparado
Levaram meu dinheiro, mas preservaram minhas mãos
As mesmas que não impedirão as portas de se fecharem
As mesmas que farão mil portas se abrirem
A cada nova porta, uma nova mancha
A cada nova mancha, uma nova tatuagem

Tuesday, May 14, 2013

Minhas metades



Sou metade poesia e doçura
Metade Inteligência e bravura

Na poesia aprendi a ser correto
E minha vida rima como um soneto
Se errei logo vejo o que não rima
Volto, acerto e faço direito

E aprendi que a doçura é como munição
Serve apenas quando se faz de arma o coração
Não sobra nenhum exército de pé
Não é dado nenhum tiro em vão

Com inteligência fiz meu mundo
E quando não a utilizei caiu tudo por terra
É com ela que separo o joio do trigo
Ela me faz distinguir a coisa errada da coisa certa

Com bravura sigo lutando
E não tive medo de não ficar no mesmo lugar
Porque o bravo não é aquele que parte
Mas sim aquele que tem porque voltar

Sou metade Luiz
Sou metade Ediléia
Metade palco, metade plateia

Sou Ediléia e Luiz
Sou o fruto da união
Perfeito como cada irmão
Se viver é bom então sou a prova
De que passar a vida junto nunca é em vão

Sou meu pai, sou minha mãe
Sou seu casamento, sou seu relacionamento
Sou enfim um dos filhos de todo esse tempo

Monday, May 13, 2013

Repentino



Eu tinha pensado no diferente
No repente
No sorridente
Na leveza da mente
Eu tinha pensado novamente

Eu teria seguido em frente
Para sempre
Simplesmente
Com você somente
Eu teria vivido alegremente

Mas alguma coisa não quis...

Era uma tarde de sol
Ou era uma noite de lua
Tanto faz
A partir daquele momento
Tudo aquilo que eu tinha
Não existia mais

Eu não era mais querido
Deixei de ser desejado
O jogo foi embaralhado
E as canastras não existem mais

Era um dia frio ou noite escura
Novamente tanto faz
Caio, levanto e sigo
Meu medo não me amedronta mais.