Quando andava no deserto eu via miragens
Homens, mulheres e outras paisagens
No deserto que é frio e calor
Dunas de areia que mudam de cor
Eu pensei que jamais de lá sairia
Mas tinha certeza que jamais desistiria
No deserto que é todo solidão
Nem mesmo a morte lhe estende a mão
Então começou a ventar demais aquele dia
E eu soube que era a chance que eu queria
No deserto que é formado de vento
Só não padece quem sempre está atento
Então estiquei minhas asas o máximo que consegui
E acelerei meus passos para poder partir
No deserto que é lindo visto do céu
Só um anjo escolhe entre vítima e réu
Eu estava voando pelo céu sem sentido
E não sabia se poderia parar
Eu tentava focar minha mente
Mas me lembrava daquelas pessoas
Eram pares ou sombras estranhas
Uma chance de mudar minha mente
Mas eu sabia que acabaria encontrando
Antes que o vento parasse
No deserto que é feito de sombras de amor
Até o veneno das cobras tem seu sabor