Monday, December 31, 2012

Desapego e abandono


Eu sou o cão, o bicho
Fui feito com capricho
Nem bom e nem ruim
Sou a conta do que há em mim

Estive fora um tempo
Me vesti com a cara de peixe morto
Mesmo estando vivo e aparente
Mesmo com meu falso olhar sorridente

Eu sou a lágrima que não corre
Aquela que fica para encarar
A mesma que deixa meu olho vermelho
Que te deixa perplexo sem sair do lugar

Sou a tristeza e a loucura
Sou nascido em noite escura
Sou a alegria e a vontade
E cada vez que morro volto com mais propriedade

Sou o pai, sou o filho
Sou o espírito nunca santo
Sou o bêbado, sou o louco
Sou a certeza e o engano

Desengano que aparece repentino
O sangue frio no olhar do menino
A arma que cospe a pólvora
O cálice que oferece a hóstia

Sou o poeta da rima em vão
O caminho para lugar algum
Sou a febre que rouba o sono
Sou desapego e abandono

Tuesday, December 25, 2012

o velho novo amor de volta....


Era uma vez um amor inocente
Dois adolescentes que se achavam gente
Que adoravam brincar de “para sempre”
Mas como sempre se acabou

Era uma vez um amor resistente
Dois jovens que julgavam já ter mente
Que tentaram ficar juntos para sempre
Mas o para sempre mais uma vez se acabou

E passaram luas, estrelas e sol
E a vida se encarregou de fazer sua parte
E os caminhos foram ficando tão longe
Que certo dia se anoiteceu de vez

E no escuro do tempo não havia mais amor inocente
E sem o amor inocente o par acabou virando gente
E gente às vezes pode ser complicada demais
Porque adora seguir caminhos estranhos e não olhar para trás

No escuro do tempo, não há amor que resista
E quando o amor não resistiu a mente tomou seu lugar
Pois quem julga ter mente, às vezes para si mente
Porque adora se iludir que a vida não foi feita para sonhar

Mas a mesma dor que destrói, também abre novos caminhos
E há caminhos que fazem até mesmo o sol nascer
Já não estávamos mais sós, ela e ele, eu e você

Era uma vez um amor persistente
Do tipo que não se importa em ver o tempo passar
Daqueles que esperam calados o momento chegar
É o velho novo amor que resolveu voltar.

Natal sem Miguel

(BH, 2 horas do dia 25 de dezembro....)

Hoje eu queria fazer desejo
Queria pensar no que Noel deixaria
Queria ter uma árvore de Natal
Queria ter você comigo afinal

Queria que você estivesse aqui comigo
Ver seu sorriso de criança
Participar da sua bagunça
Brincar até sentir preguiça

Eu bem sei que você está feliz onde está
E que seria meu egoísmo te trazer pra cá
Mas meu filho eu sinto tanto sua falta
Que às vezes simplesmente não dá para aguentar

Então eu queria que Noel levasse minha saudade embora
E enxugasse cada lágrima sem demora
Queria que ele colocasse esse vazio dentro do seu saco
Que mandasse para longe esse imenso buraco

Ah Noel, me desculpe estar triste hoje
Pois esse natal não é como outros tantos mais
Esse é o primeiro sem meu filho querido
E sem Miguel toda essa magia já não me alegra mais

Thursday, December 20, 2012

Cada dia uma poesia 2012



Paris não me empolga
Filme romântico não me emociona
Futebol não me apaixona
Vitiligo não me incomoda
Meu filho me faz falta
Minha família está em alta
E nada mais me importa

Meus amigos são antigos
Minhas lembranças estão vivas
Meu carro é popular
Minha crença é absoluta
Minha acusação é absurda
Meu desejo é exato

TV não me prende
Moças me atraem o olhar
Cachorros me agradam
Pessoas me fazem pensar
Viver sozinho não é de se detestar

Música me alegra
Natal não chove nem molha
Trabalho me vive

Cada dia é uma vitória
Cada dia é uma alegria
Cada dia uma poesia

os meus



A grande dádiva que Deus me deu
Foi a força para recomeçar
Uma visão do meu agora
Para chegar em um lugar melhor

Os dias passam e varrem coisas ruins
E todo rancor vai ficando para traz
Minhas lembranças vão ficando seletivas
E agora só me lembro do que é do bem

Tantas pessoas se foram
E tantas chegaram
Outras regressaram de tão longe
Com sede de sorrir novamente

Eu voltei a este lugar
Onde eu aprendi a andar
Cada caminho que encontro
A certeza de que já  passei por lá

Meu foco saiu do futuro e do passado
O que importa é só o que passa agora
Porque passado e futuro, jamais passará

Quando sua família lhe abraça na sua dificuldade
Sua mente descobre que ela não pode lutar contra você
O amor de pais irmãos e filhos é tão grande
E você descobre que está vivendo onde mora a felicidade

E cada um deles é um pedacinho de mim
Como cada raio que compõe o grande rei sol

Olho em volta
E vejo o amor de minha mãe e do meu pai
Que tem a única preocupação com minha felicidade
Fiz a escolha certa quando negociava minha volta a terra
Como sou grato,
Como é maravilhosa esta oportunidade

Eles me deram três irmãos
Que por sua vez me deram suas famílias
Que por sua vez se tornaram minha família também
E agente é uma coisa só como sempre foi
Todo mundo junto sem deixar ninguém

Friday, December 14, 2012

Ao amigo Antony



Há muito, muito tempo atrás
Antony Restony fechou as portas do seu coração
Ele combinou tudo certinho
E os Deuses atenderam a sua oração

Antony entendia que amar doía demais
E decidiu parar de amar como parte da solução
Passou anos e anos sem amar ninguém
Até que um dia, uma viagem, mudou toda a combinação

Ela era linda como o sol nascente
Seu sorriso amanhecia até o sol mais poente
Seu cheiro, seu gosto, seu caminhar
Tudo aquilo eram estrelas coloridas pelo luar

Então Antony lembrou entre surpreso e assustado
De quanto tempo já não amava por causa do passado
Mas já estava irremediavelmente perdido
E percebeu que seu frágil coração havia sido arrombado

Seguir aquilo parecia loucura então
Ele sabia que a insanidade machucaria seu coração
Antony nunca esqueceu os motivos de o ter deixado trancado
E agora que podia não sabia qual a mais sábia decisão

Ele passou a imaginá-la noite e dia
Imaginava inúmeras sensações de “quem sabe um dia”
Como ela era linda e radiante
Como amar novamente era tão excitante

Antony vive uma história sem fim
Ele ama Jolie mesmo sem razão
Contra ele apenas mesmo o seu medo
Porque o medo é a chave que tranca o coração

O homem sem pupilas



Não posso mais dormir
Pois sempre que durmo sonho com você
E estar contigo em meu sonho é tão grande
Mas acordar sem você também o é

Em meu sonho você já sorriu mais
Embora seu sorriso seja exatamente o mesmo
Estamos longe tanto em sonho quanto em realidade
E estarmos juntos representa aquele um por cento de probabilidade

Não posso mais dormir
Mas esta é a maneira mais certa de te encontrar
Há tantos caminhos e possibilidades diferentes
Que talvez o que eu deseje só aconteça mesmo lá

Nunca quis tanto, nunca pedi tanto, nunca desejei tanto
Nunca utilizei recursos tão fortes
Nunca recorri a sentimentos tão profundos
Nunca solicitei aos seres amigos tamanhos absurdos

Queria mais quarenta ou cinquenta
E se não estivesse escrito, eu mesmo escreveria
Queria que meu sonho acordasse, mas que ficasse tudo igual
Queria que sonho e realidade fosse a vida normal

“Há muito, muito tempo atrás
Fechei uma porta que não se abre mais
Lembro nitidamente o que já passou por ela
E sei muito bem o que aconteceu depois
Trancada, a porta ficou segura e tenaz
Posso olhar pela fechadura
Posso sentir o vento que ventava lá atrás.”

Não posso mais dormir, mas tenho sono
E retirei minhas pupilas em um ato de esperança inútil
Todo simbolismo passa a ser tratado assim
Um homem sem pupilas que sonha acordado enfim

Reconstruir o mundo



Quanto o último homem andar sobre a terra
Eu posso imaginar sua tristeza
Passeando por ruínas da nossa civilização
Momentos que não existem mais
Lembranças de um ontem que ficou para traz

A chance foi desperdiçada
E agente não fez nada direito
Tudo que ganhamos, nós destruímos
E um a um, através da morte, nós partimos

Eu posso imaginar a ausência de medo
Eu posso sentir o frio do seu corpo que vive só

Eu era esse homem
E caminhava sozinho pelo que sobrou de nós
Não estava perdido, mas não sabia onde estava
O vento soprava em mim
Mas não havia ninguém com quem compartilha-lo
Então aproveitava sozinho
Mas eu tinha que continuar

Quanto você é o último homem
Talvez existam muitas coisas a fazer
Reconstruir o mundo
Trazer de volta cada alma
Plantar de novo cada semente
E esperar cada nascer do sol
Tudo isto só

Olho em volta
Não vejo nada agradável
Olho para dentro de mim
Feliz percebo que sobrou alguma coisa
Lembranças e desejos
Vontades e virtudes
Tudo o que preciso
Reconstruir o mundo

Eu não sou a dor do mundo
E ele não vai assistir nenhum desespero
Reconstruir o mundo antes que ele acabe
Reconstruir o mundo antes que ele acabe