Friday, December 14, 2012

O homem sem pupilas



Não posso mais dormir
Pois sempre que durmo sonho com você
E estar contigo em meu sonho é tão grande
Mas acordar sem você também o é

Em meu sonho você já sorriu mais
Embora seu sorriso seja exatamente o mesmo
Estamos longe tanto em sonho quanto em realidade
E estarmos juntos representa aquele um por cento de probabilidade

Não posso mais dormir
Mas esta é a maneira mais certa de te encontrar
Há tantos caminhos e possibilidades diferentes
Que talvez o que eu deseje só aconteça mesmo lá

Nunca quis tanto, nunca pedi tanto, nunca desejei tanto
Nunca utilizei recursos tão fortes
Nunca recorri a sentimentos tão profundos
Nunca solicitei aos seres amigos tamanhos absurdos

Queria mais quarenta ou cinquenta
E se não estivesse escrito, eu mesmo escreveria
Queria que meu sonho acordasse, mas que ficasse tudo igual
Queria que sonho e realidade fosse a vida normal

“Há muito, muito tempo atrás
Fechei uma porta que não se abre mais
Lembro nitidamente o que já passou por ela
E sei muito bem o que aconteceu depois
Trancada, a porta ficou segura e tenaz
Posso olhar pela fechadura
Posso sentir o vento que ventava lá atrás.”

Não posso mais dormir, mas tenho sono
E retirei minhas pupilas em um ato de esperança inútil
Todo simbolismo passa a ser tratado assim
Um homem sem pupilas que sonha acordado enfim