Monday, May 30, 2016

Contradições poéticas

Quando chegou na beira do precipício
Teve medo pela primeira vez
Se lembrou da sensação de voar
Se lembrou da dor de cair

Se deu conta que tinha chegado cedo demais
Se deu conta de que deveria ter ido mais devagar

E de onde estava talvez não seria possível recuar
Nem ao menos dizer adeus
E de onde estava só lhe cabia mesmo pular
Pois que era mesmo impossível permanecer onde está

E se deixou perder por alguns instantes
E se lembrou de que não eram nem ao menos dois amantes

Tudo aquilo que parecia amor, era uma mera tentativa de conhecimento
Tudo aquilo que parecia estar dando certo, era um pequeno suspiro de momento
Tudo aquilo que parecia o certo, poderia ser um futuro constrangimento
De lhe ganhar e lhe perder
De lhe perder e lhe recuperar
De ir e voltar
Sem sair do lugar
Apensar perdendo o nosso tempo
Enquanto a vida não parava de passar

E mergulhou no ar, misturando enfim com as luzes da cidade
E agora não importaria mais em quantos pedaços quebrasse
O prazer de voar é maior que o medo de cair
Decidir ficar é mais difícil e maior que partir