Um tiro estranho
Ninguém nem nunca viu aquilo
Insanidade, impunidade
Falta de dignidade
Sangue, bala, há tiro no outro
Está lá estendido mais um corpo
Eu digo sim
Antes a ele que a mim
Ideia fraca, agente fraga
Fudido, sem casa, pobre e preto
O tiro é só um jeito
O giz do gueto
Motivado do malvado
Deus deve ter abandonado
Igual a sociedade
O governo da desigualdade
Semente de maldade
Que só cresce
Que acontece
Você não vê e nem nunca viu
Mas na hora que acordar
Bum !
Explodiu
A violência
A paciência
A sua paz
Ah, essa já ficou para traz
Por onde andava já não anda mais
A favela inflamada
Na dispensa as lata cheia de nada
O asfalto é a solução
Nós protesta
Nós sabe bem porque
Não é a polícia, não é o governo
É a falta do que comer
É como pólvora, sem o pavio
Quando explode num sobra um vivo
O susto do som
Caiu o corpo
Morreu mais um
Não sei quem era
Foi tão sinistro
Pobre, preto e favelado
Tira da frete, joga pro lado
não é a polícia, nem o governo
o som de bala, é a poesia
a violência, a mãe do gueto
