Monday, April 28, 2014

Inferno astral

É que certas indefinições me afligem
Não pelo medo, meu parceiro
Mas pela falta de horizonte
Da qual vivo simplesmente
Não há raios solares nas manhãs
Não há som algum lá fora
Eu nada posso sentir
Tudo ainda está indefinido
Nem um raio de vida
Nem um coração partido
Tudo está indefinido

Antes que eu me esqueça
Um novo golpe, sempre às costas
Façam suas apostas
É hora de rever o xadrez
E não perder a rainha
E não deixar de ser o rei
Eu gostaria de gritar com eles
E deixá-los em seu lugar
Mas como não posso larga-los
Então me resta lutar e lutar
Cavalos ou peões
Quadrilhas ou esquadrões
Nada disso
Faço as coisas sozinho
Esse é o meu caminhar

As coisas incertas
Batendo na minha janela à noite
Eu posso vê-las mas não senti-las
Então sou o eu aflito
Nesse mundo tão estranho
Em que simplesmente perco
No momento em que estou mais ganhando
Eu gostaria de ser livre
Mas já cometi erros demais
Só me restou aproveitar para pagar agora
Para não nascer novamente
Ligado a tudo isso
Ao meu repúdio
Ao meu inferno astral