Tuesday, June 09, 2020

Sequelas


Já não há portas na minha casa
Apenas vejo as coisas da janela
Me exercito carregando a saudade
E muitas vezes não dou conta dela

O aplicativo alimenta, mas não nutri
A voz consola, mas não acaba com a dor
A imagem apenas ameniza a vontade
A cada dia que passa, o mundo perde a cor

O tempo parou e a hora nunca chega
Cientistas controlam a minha antes doce vida
E doutores definirão o que quer que seja

O tempo não passa, nem a melancolia
O destino nos abandonou à própria sorte
E a esperança não apareceu nem um dia

Tudo vai passar, assim como os otimistas
E tudo acabará, assim como os pessimistas
Minha casa, sem portas, tem agora apenas janelas
Nelas vejo o futuro, turvo e com várias sequelas

Friday, November 04, 2016

Suavemente

Cuando nuestras manos se separaron
Era como si el camino había terminado
Pero fue al revés
Y no hay conexión al revés

Pero hay algo que hace mis ojos salados
Y que perturba el silencio
de mi alma

hay algo que penetra en mi corazón
que le causa dolor
y luego desaparece

ciertamente
irrazonablemente
no habría en absoluto un sentido
pero no hoy, no esta noche
Tenuemente y suavemente


Suavemente

Cuando nuestras manos se separaron Era como si el camino había terminado Pero fue al revés Y no hay conexión al revés Pero hay algo que hace mis ojos salados Y que perturba el silencio de mi alma hay algo que penetra en mi corazón que le causa dolor y luego desaparece ciertamente irrazonablemente no habría en absoluto un sentido pero no hoy, no esta noche suavemente


Sunday, October 23, 2016

Partidas soteras

Te vi indo embora
Escorrendo entre meus dedos
Fiquei feliz por ter escolhido
E triste por ter partido

Me vi indo embora
Com as possibilidades de novo lugar
Fiquei feliz por ter escolhido
E triste por não poder ficar

Me dei conta que somos do mundo
E também há um porquê em não ficar
Quando temos nosso próprio brilho
Podemos brilhar em qualquer lugar

Te vi indo embora
E te vi quando voltar
O amor é casa de muitos endereços
E resiste a qualquer lugar

Tuesday, September 27, 2016

Mais do que palavras

Não há cortinas na minha casa
Nua como minha alma
E não há um mundo perfeito
Em que não caiba uma poesia

Elas levam tempo
Mas ficam com você
Elas não levam o seu tempo
E permanecem com você

E você não tem como parar
Porque seu tempo se vai
E a poesia não diz adeus
Porque o seu tempo jamais se vai

A poesia é o eco da alma
E também o eco do tempo
Que se adianta ou se atrasa
Mas nunca se vai

Um eco dentro de você
Pulsando no seu coração
Como as batidas exatas
Do seu eu mais ilógico

E a poesia não se vai
E te convida a ficar
Quando você pensa em desistir
Ela simplesmente está lá

Porque a poesia é o começo
É apenas o começo
É o começo
Mais do que palavras








Monday, September 26, 2016

Voltando para casa

Não importa quanto tempo temos
E por quanto tempo vou te esperar
Nos aeroportos e nas esquinas
Ouvindo pessoas sem a me acrescentar

Tenho delírios com momentos
Que insistem em não passar
Argentina, Paris ou Londres
As tardes quentes de Bogotá

Quantas taças me oferecerão
E quanto tempo ainda vou te esperar
Perdidos em portões de embarque
Homens de branco que se jogam ao mar

Tenho tantas dúvidas e desejos
Que não sei onde vou chegar
Tantas diretrizes e procedimentos
E o mundo parece continuar 

Tantos tiros do outro lado da janela
Tantas carreiras que ficaram para traz
Espero insisto e me nego
Talvez eu parta quando deveria ficar





Tuesday, August 23, 2016

Ao sol

Eu procuro olhos como os seus
Que se encaixem em beijos como os meus
Que tenham sabor como o gosto seu
Que alimente alguém como eu

Eu procuro diferença como a sua
Que pareça com mesmice como a minha
Que sejam atraentes como o corpo seu
Que complete alguém como o meu

Eu procuro a loucura como a sua
Que se perca em devaneios como os meus
Que seja gostosa como a gargalhada sua
Que alegre alguém como eu

Eu procuro uma alma como a sua
Que entenda o valor que tem a minha
Que seja eterna, mas que seja sempre sua
Que ame alguém como eu


Caminhos de Rosa

Quanto mais longe eu ia
Mais me perguntava por que
Era uma pressa de viver
Era pura alegria ou sei lá o que

Então me senti louco mais uma vez
E enchi meus pulmões de poeira
Era uma vontade de sei lá o que
Era pura magia de viver

O dia amanheceu e foi embora
E amei novas pessoas para sempre
Era uma noite linda de viver
Era puro espírito de sei lá o que

Então senti a liberdade dos trezentos
Vários um só eu e o sertão
Era uma paz de sei lá o que
Era pura sensação de viver

Eu lhes seguia numa toada rápida
Éramos todos Guimarães
Estar ali é como novamente viver
Para seguir as marcas rosas ou sei lá o que



Monday, August 08, 2016

Últimos e primeiros

O último gole
É o mais saboreado
O último adeus
É o mais atordoado

A última porta
É a mais esperançosa
A última canção
É a mais gostosa

A última impressão
É a que fica
A última tacada
É a mais precisa

A última mulher
É a mais amada
A última puta
É a mais cobiçada

A última pessoa
É quem será a primeira
A última tentativa
É a mais certeira

O último Deus
É o mais milagroso
O último demônio
É o mais perigoso

Quem riu por último
Riu por pena
De quem morreu por último
E teve das mortes a mais serena